Tenho um amigo grande, bem grande! Que por coincidência, sei lá, também é um grande amigo! Ele compartilha o mundo a parte e as observações próprias que tenho. Partilha o amor pelos animais... Preciso contar que o amor dele é meio estranho, tem um jeito meio “Felícia”. Todos os animais de estimação dele fogem ou morrem!
Já tivemos momentos únicos, como a morte do Gasparzinho. Só mais tarde descobrimos ser apenas uma sacola plástica branca “atropelada”... E, só muitas rizadas depois, lembramos que Gasparzinho já é morto! Eu limpei o forno onde ele transformou os biscoitos em plástico. Juntos, criamos o primeiro colar de olhos humanos (recorte de revista, não se apavore!).
Trocamos livros, músicas, filmes, ideias. Criamos poemas (péssimos), gravamos poemas que na verdade serviram pra muitas risadas. Todos aqui na ilha verde gostam das suas visitas, raras ultimamente. Quando veio a ilha verde pela primeira vez, minha mãe o recebeu com um suco de abacaxi. Olhou pra ele e disse, “nossa! Como Você é grande! Mas, ali perto do portão tem um duto subterrâneo enorme, eu podia esconder teu corpo ali. Caso eu tivesse envenenado teu suco, claro!”. Depois de afogar, tossir e conhecer minha mãe gostou dela!
Temos tantas histórias, que daria para escrever um livro. Só de maluquices! Não me permitiu citar seu nome, e me fez jurar que teria “decoro” ao escrever! Exigiu que criasse um pseudônimo. Pensei em vários, verdes, gosmentos, engraçados... Mas, escolhi ”Fazedor de Rizadas”, que é isso que ele faz, me faz rir!
domingo, 11 de setembro de 2011
sábado, 10 de setembro de 2011
Pastor de Estrelas Mortas
Conheço um pastor, diferente de todos os outros pastores! É um Pastor de estrelas mortas.
Mora muito, muito, distante daqui e vive solitário e mal humorado. Pode-se dizer que tem um mau humor de um urso faminto. Fica lá observando suas estrelas mortas, sempre à distância, ele não as vê, não as conta. Imagina e calcula a sua existência. Dia e noite entre contas, gráficos o seu estranho rebanho.
Acho poético calcular “sei lá o que" das estrelas mortas, as mesmas estrelas do meu céu aqui da minha ilha verde. Pra mim são estrelas que ainda brilham, e não só recordações de estrelas que já se foram. A matemática das estrelas que me interessa é só aquela antiga e infantil de apostar quem conta mais estrelas.
Não gosto de lembrar que muitas das estrelas que vejo agora estão mortas. Isso me faz pensar na finitude de tudo o mais... Preferia acreditar que estrelas são infinitas, impossíveis de contar e que infinita é a sua vida.
Pulsares! Lindo o nome pelo qual algumas estrelas mortas são conhecidas. Antagônico até, pulsar lembra vida! Vida pulsante, coração! Um pulsar é uma estrela de nêutrons girando rapidamente, o que corresponde ao coração de uma estrela massiva que explodiu desmoronou como uma supernova no final da vida.
O pastor de estrelas mortas ouve Jazz, será jazz a música das estrelas? Sei que sua música rivaliza com a das baleias. Que em seu interior reverberam fragores, trovões sibilam agudos lamentos que formam uma sinfonia de sons. São essas ondas acústicas que fazem com que as estrelas se comuniquem umas com as outras permitindo que ela encontre o estado de equilíbrio. São as ondas acústicas responsáveis pelo tamanho, forma e brilho, assim, ela compensa a energia que escapa continuamente de sua superfície.
Pensando, aqui observando o céu, talvez o urso mal humorado não seja, na verdade, um pastor de estrelas mortas e sim um maestro!
Mora muito, muito, distante daqui e vive solitário e mal humorado. Pode-se dizer que tem um mau humor de um urso faminto. Fica lá observando suas estrelas mortas, sempre à distância, ele não as vê, não as conta. Imagina e calcula a sua existência. Dia e noite entre contas, gráficos o seu estranho rebanho.
Acho poético calcular “sei lá o que" das estrelas mortas, as mesmas estrelas do meu céu aqui da minha ilha verde. Pra mim são estrelas que ainda brilham, e não só recordações de estrelas que já se foram. A matemática das estrelas que me interessa é só aquela antiga e infantil de apostar quem conta mais estrelas.
Não gosto de lembrar que muitas das estrelas que vejo agora estão mortas. Isso me faz pensar na finitude de tudo o mais... Preferia acreditar que estrelas são infinitas, impossíveis de contar e que infinita é a sua vida.
Pulsares! Lindo o nome pelo qual algumas estrelas mortas são conhecidas. Antagônico até, pulsar lembra vida! Vida pulsante, coração! Um pulsar é uma estrela de nêutrons girando rapidamente, o que corresponde ao coração de uma estrela massiva que explodiu desmoronou como uma supernova no final da vida.
O pastor de estrelas mortas ouve Jazz, será jazz a música das estrelas? Sei que sua música rivaliza com a das baleias. Que em seu interior reverberam fragores, trovões sibilam agudos lamentos que formam uma sinfonia de sons. São essas ondas acústicas que fazem com que as estrelas se comuniquem umas com as outras permitindo que ela encontre o estado de equilíbrio. São as ondas acústicas responsáveis pelo tamanho, forma e brilho, assim, ela compensa a energia que escapa continuamente de sua superfície.
Pensando, aqui observando o céu, talvez o urso mal humorado não seja, na verdade, um pastor de estrelas mortas e sim um maestro!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Janelas!
Das janelas das casas na ilha verde pode-se ver tanta natureza! Na casa mãe, na janela da cozinha, tem sempre frutas e ali vemos pássaros que comem sem a mínima cerimonia. São de cores diversas, irrequietos, barulhentos e gulosos. Quando chego do trabalho é por ali que espio pra ver se está tudo bem, coisa de filha!
Das janelas da Casa do telhado, a vista é privilegiada, lá do alto vemos todas as montanhas e as copas das árvores. E através delas, as risadas da menina que mora ali no telhado chegam ao meu coração.
Pela janela da casa amarela, se vê o rio, a floreira com a coleção de cactos, as laranjeiras em flor... E por ali, vejo os filhos chegando, entram suas risadas, o assobio do meu pai, o martelar na velha sapataria! Vejo a fumaça da chaminé do fogão à lenha e sinto o cheiro do pão quentinho.
Pela janela o sol espia minha sala e me aquece no inverno e por elas que o som mágico do quarto dos vinis se liberta e ganha espaço. Por ali minha mãe espia pra dentro da minha casa, pra ver se está tudo limpo! Coisa de mãe!
Minha alma também tem janelas, quase todas, abertas pra espiar o mundo!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Bocejo.
Chove
Tem um barulhinho bom no telhado
Um friozinho tolerável
Um silêncio de outros barulhos
Só pingos e sabiás.
Perfume de flor de laranjeira lá fora
Chá de flor de laranjeira na xícara
Tudo a meia luz natural,
Bocejo
Meu sono voltou pra casa!
Tem um barulhinho bom no telhado
Um friozinho tolerável
Um silêncio de outros barulhos
Só pingos e sabiás.
Perfume de flor de laranjeira lá fora
Chá de flor de laranjeira na xícara
Tudo a meia luz natural,
Bocejo
Meu sono voltou pra casa!
domingo, 4 de setembro de 2011
Charlote
Na entrada da casa amarela tem um canteiro, onde normalmente planto boca-de-leão. Como moro no meio de muitas árvores, é preciso de vez em quando tirar as folhas que ficam em meio ao canteiro para que elas não sufoquem as plantinhas. Limpando esse canteiro, em um grande susto, descobri uma moradora, uma aranha avermelhada... Figura ameaçadora!
Não posso deixar de contar um detalhe... Por muito tempo tive fobia de aranhas, de todos os tamanhos e cores, e também das teias. Fobia só superada após aulas de zoologia, onde fiquei meses, debruçada sobre livros e aranhas (em espécie) estudando-as, no curso de Biologia.
O medo foi substituído por admiração, respeito e cuidado. Passando o impacto desse primeiro encontro, passamos a ter um relacionamento de mútuo respeito.
Então, depois do susto, passei a limpar o canteiro com luvas, delicadamente empurrava Charlote, pra lá e pra cá. Não falei? É, dei nome a ela, achei que charlote é um nome bem apropriado para uma aranha tão sofisticada, vestida de veludo vermelho.
Atrevida, Charlote não se contentava em ficar só no canteiro, subia pelas paredes da área para se alimentar a noite. Pela manhã sempre estava por ali, com aquela preguiça de aranha. Pacientemente eu a empurrava de volta para o canteiro. Pessoas não costumam ser muito simpáticas com as aranhas, era melhor pra ela, ficar no canteiro escondida.
Resolvi fazer uma faxina, chamei uma mulher para lavar as janelas, paredes e forro, que depois do inverno costumam acumular poeira e mofo. Ela ficou em meio a baldes vassoura e bolhas de sabão enquanto eu fui para as minhas aulas. Ao chegar fui recepcionada com um grande sorriso, e a mulher se achando a maior heroína, contando que havia encontrado no canto da parede uma aranha terrível, venenosíssima!
A surpresa: Lá estava Charlote! Esmagada no chão... Seu lindo vestido aveludado e vermelho todo rasgado e algumas de suas “pernas” elegantes espalhadas em volta. Fiquei tão triste! Peguei aquele corpinho em migalhas e coloquei de volta no canteiro! Adeus Charlote!
Não preciso contar que atrás de mim havia um par de olhos esbugalhados que pareciam dizer: Maluca!
Assinar:
Postagens (Atom)





